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Imã

vidrados, os olhos
em poeira cósmica
dominante
atraídos
por seus pólos -
opostos
por seus corpos -
expostos

pelos poros
sentir

quando a palma da tua mão
toca a palma da minha mão:
eletrodos em intensa conexão
caminha em corrente
de forma frequente

em plena luz,
mas sem razão

impulso nervoso
impetuoso -

em campo magnético singular
pulsando de ti, pra si, de si, pra ti
coexistindo em uma batida só.

Pra não te chamar o nome

beirando a inocência
quando estamos só entre a gente
você é um engano
bem emoldurado
eu uma dúvida
colocada indevidamente
nós somos
palavras
as que eu despejo em você
e as que você susurra para mim
não somos metades
somos um só
eu sou você, você sou eu
e não estamos
como se estivessémos
nós não somos o que se chama de uma folha
nós já escrevemos as coisas
te chamo por meu bem
para sempre ter a quem
me chama de amor
enquanto existe entre a gente.